leandro freitas fala sobre a campanha mares limpos

Conferencista Leandro Freitas, engenheiro ambiental na AMFRI

Como os municípios estão encarando essa temática desde que assumiram esse compromissos junto com a ONU lá em junho do ano passado? Não é um desafio fácil, nós sabemos que a política nacional de resíduos sólidos existe a pouco mais de 10 anos e os desafios de implementação dos instrumentos delas são cada vez mais difíceis.

A campanha Mares Limpos, apesar de ter uma temática totalmente voltada ao lixo marinho, ela veio para auxiliar os municípios, como um dos instrumentos da política nacional de resíduos sólidos. Como a Elisa já falou ela veio auxiliar os municípios a desenvolverem a gestão de resíduos sólidos em geral e não só do lixo marinho. A partir do momento que os servidores da gestão pública começam a enxergar que o problema do lixo marinho vai muito mais além do que aquilo que a gente enxerga, que não é só nas praias e nos rios, é sim um problema cultural e já vem de anos. É um problema do Estado na gestão de resíduos em geral.

Primeiramente, eu trago alguns dados só para entendermos que realmente a problemática é grande. A quantidade de sacola distribuídas é de até 5 trilhões todos os anos, um milhão de garrafas plásticas são compradas por minuto no mundo, 10% de todo o lixo gerado pelo ser humano é plástico, 50% dos plásticos consumidos são descartáveis, é aí que mora o problema e a consequência disso é que 100 mil animais marinhos são mortos por decorrência dos plásticos que são descartados incorretamente todos os anos.

A campanha Mares Limpos foi lançada pela ONU em fevereiro 2017, na Indonésia. O Brasil fez sua adesão logo depois, em junho de 2017. A ideia dos município aderirem à campanha partiu aqui da ONU Meio Ambiente do Brasil, sendo o primeiro município a aderir foi município de Itajaí/SC. Logo em seguida os municípios da AMFRI, em 2018 fizeram adesão dessa campanha.

No que que consta essa campanha?

O município assina uma carta compromisso junto com a ONU no qual, eles se comprometem a realizar ações dentro de quatro eixos propostos que são: trabalhar na legislação e na temática de políticas públicas; trabalhar com educação ambiental e a conscientização da população e da sociedade; as melhores práticas na gestão de resíduos sólidos para a iniciativa privada e melhores práticas de gestão de resíduos sólidos para o próprio servidor público, porque é ele que precisa dar o exemplo, se ele quer melhorar a gestão na iniciativa privada.

Quando a campanha foi lançada, bom, nós sabemos que todo início de campanha tem uma ação de lançamento e a primeira reação que podemos ver, quando é uma campanha de cunho de políticas públicas forte, é o lançamento de leis que proíbam ou inibem o problema que está sendo proposto a ser tratado ali.

Várias leis de uso do plástico já foram criadas aqui na nossa região, com diferentes temática, umas proíbem o uso dos canudinhos outras proíbem só uso de copos descartáveis outras trazem ainda as questões do isopor. Ou seja, cada município está aderindo uma lei que mais atendem a sua realidade.

Para tentarmos promover e consolidar a essa ação tem muita ideia aqui no Brasil que a lei não pega, é uma cultura que precisamos mudar. Para consolidar que essa campanha realmente fique, através do colegiado do meio ambiente da AMFRI, criou-se um grupo de trabalho de gestão de resíduos sólidos, o grupo é composto por um servidor técnico específico do tema, que entende da área para trabalhar em conjunto com os 11 servidores técnicos formado então um grupo para trabalhar, fazer debate permanente sobre a gestão de resíduos sólidos e não apenas do combate ao lixo no mar.

Desde a assinatura da campanha da Mares Limpos vem trabalhando na construção do plano de ação de combate ao lixo no mar, estamos em fase de abertura da consulta pública, na realidade está aberto desde 7 de junho e temos previsão de fechamento em 30 de setembro. Fazer a consulta pública foi uma maneira de termos um diagnóstico da percepção da população diante a problemática do lixo marinho na sua região.

O que é esse plano de ação?

Propomos fazer um planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo para implementar ações que atendam aos eixos da campanha Mares Limpos. Todas ação criada vai ser composta por uma tabela que define: Quais as atividades que precisam ser realizadas para cumprir o objetivo daquela ação, determinando o prazo e responsável. Dessa forma entende-se que, assim aquela ação sera cumprida. Apesar do plano ainda não sido lançado alguns municípios já vem trabalhando fortemente na realização de ações.

Cases de Municípios da AMFRI

Balneário Piçarras

Implementou uma ação no eixo de melhores práticas de gestão de resíduos sólidos, onde eles fez a troca dos copos descartáveis que eram utilizados no Paço Municipal pelos copos envelopes e os servidores ganharam copo retornável, com isso a Prefeitura de Balneário Piçarras praticamente zerou os resíduos de plásticos no que tange copos descartáveis, ainda no eixo de melhores práticas de gestão de resíduos sólidos Balneário Piçarras teve a certificação da praia pelo do programa bandeira azul, é uma certificação internacional que prevê as boas práticas de gestão de resíduos sólidos na própria Orla. Com isso, podemos dizer que essa já é uma ação cumpri com a carta de compromisso. Apenas para ressaltar Balneário Camboriú tem duas praias em fase de certificação internacional

Camboriú

Camboriú também fez a substituição dos copos descartáveis dos funcionários e servidores, ainda não conseguiram implementação aos visitantes da prefeitura municipal

Luiz Alves

Substituiu os corpos dos servidores e nos Centros de Educação Municipal, entregaram garrafinhas para as crianças substituindo os copos descartáveis

AMFRI

Na nossa própria sede fizemos a substituição dos copos descartáveis, os funcionários ganharam garrafa térmica e copo de alumínio e para os visitantes adotamos o copo retornável.

Parece ser uma ação de fácil implementação mas, quando você enfrenta esse operação, a cultura do copo descartável é tão grande que quando se implementa um copo retornável ou até mesmo o de alumínio, percebe-se uma certa resistência do público na utilização. Como o copo descartável é de fácil acesso, usa e joga fora, muitos ainda preferem o descartável ao invés do retornável, vem aí todo um trabalho de conscientização que não é fácil mas temos que vencer.

Alguns números com a implementação desses copos retornáveis em na nossa instituição deixamos de gerar 42846 copos descartáveis ao ano. Isso já é uma grande quantidade imagina se a maioria das empresas e setores públicos começassem a fazer isso teríamos uma redução drástica no que é gerado e descartado incorretamente.

Itajaí

Fez um projeto piloto de uma ecobarreiras, além de ser uma ação de melhores práticas de gestão de resíduos sólidos é também uma forma de conscientização ambiental. Foi uma instituição de ensino que promoveu esta ação, que implantou uma barreira ecológica com galões de garrafa de água de 20 litros, os resíduos ali gerados são encaminhado para a cooperativa de reciclagem do próprio Município.

Case de Educação Ambiental em Balneário Piçarras e Camboriú

Foi a campanha oceanos sem plástico, a campanha aconteceu em todas as instituições de ensino do município a partir do 3º ano, onde eles promoveram uma competição para que ganhariam as escolas que arrecadassem o maior número de resíduos plásticos. De início teve uma certa resistência, pois acreditou-se que iria promover o consumo ao invés de somente a coleta de resíduos mas, pelos resultados obtido, verificou-se que trouxe uma conscientização ambiental dos alunos envolvidos.

A população ainda não enxerga essas campanhas de educação-escola como algo grandioso mas da percepção de quem participa é fácil notar que deixa um legado grande, até por que as crianças são os futuros cidadãos que vão estar a frente da sociedade em seus municípios, sem dúvida deixa um legado indiscutível. São coisas realmente importante, que apesar de não aparecer.

Em Camboriú compramos a ideia da campanha das escolas de Balneário, porém feito no Rio Camboriú no final foi recolhido um total de de 884.536 plásticos, essa coleta aumentou ainda mais a cooperativa que esta meio que desativada no município. Isso deu uma engajada forte na cooperativa de reciclagem e como premiação, as crianças puderam visitar a cooperativa de reciclagem e conhecer como é o processo de reciclagem desse material e visitaram o Projeto Tamar em Florianópolis/SC para entender a questão dos animais marinhos.

A ideia é que, o planos de consolidação entre mais a fundo, para encontrar o problema raiz e lá na frente não precisarmos mais dos mutirões de limpeza, por que enquanto houver os mutirões verificamos que o problema ainda não está sendo resolvido.

Para finalizar deixo uma mensagem que como consumidores possamos pensar em reduzir o uso de plástico e enquanto sociedade e governo precisamos trabalhar em conjunto, para transformar essa cultura do uso do material plástico.