tecnologia nas escolas

por Ariele Cardoso (Amunesc) 

O Seminário Sul-Brasileiro de Educação integra a programação do Congresso de Prefeitos 2019, que iniciou nesta terça-feira (24/9) em São José, na Grande Florianópolis, com a discussão sobre o papel da tecnologia na escola, apresentada pelo professor André Luis Alice Raabe, coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica na Educação da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

André abordou as novas formas de utilizar a tecnologia no contexto da educação, indo além dos já tradicionais laboratórios de informática. Segundo André, é preciso promover uma educação em que o conceito-chave seja “Aprender fazendo”. Este é o princípio do Projeto Maker, um novo modelo de laboratório que leva o estudante para a prática através do “faça você mesmo”, aliando tecnologia e aprendizado de forma ativa.

“Os laboratórios de informática são criados com base em um modelo ultrapassado que atua como complemento dentro da grade curricular, com pouca margem de mudanças e sem flexibilidade”, afirmou o professor. “É preciso estimular o erro dos estudantes para que eles encontrem formas de solucionar os erros e melhorar seus processos. Esse é o maior ganho da tecnologia Maker, pois convergimos computação e robótica e tornamos os alunos os verdadeiros protagonistas de sua aprendizagem”, concluiu.

Segundo André, o Projeto Maker aumenta o sentimento de pertencimento e o engajamento dos estudantes com a escola, além de promover baixa nos índices de falta escolar e de aumentar a performance dos RoPE, Robô Programável Educacional alunos nas avaliações.

RoPE, Robô Programável Educacional

A programação do evento seguiu com o painel dedicado ao debate dos contextos e cenários necessários à implementação de inovações na Educação. No painel, a diretora do Departamento do Ensino Fundamental, da Secretaria Municipal de Educação de Balneário Camboriú, Tatiane Aparecida Martins do Rosário, que também foi orientanda de André, falou sobre a experiência na aplicação do “brinquedo de programar”, criado pelo Laboratório de Inovação Tecnológica na Educação da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Intitulado de RoPE, Robô Programável Educacional, o brinquedo alia ludicidade e aprendizado e pode ser utilizado com crianças a partir dos três anos de idade.

Segundo Tatiane, o RoPE auxilia no desenvolvimento do raciocínio lógico matemático, a noção de lateralidade e de espaço, além do desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas. O diferencial do brinquedo, para a diretora, é o protagonismo da criança: “é ela que vai acionar os comandos para o brinquedo realizar, é a criança que vai programar no brinquedo o trajeto a ser percorrido. Se o brinquedo não for acionado ele não vai funcionar”, afirmou.

Escola ainda é analógica

O presidente da Rede Catarinense de Inovação (Recepeti), Rui Gonçalves, também participou do painel. Em consonância com o tema apresentado por André, Rui apresentou os desafios da adequação das escolas para os usos das tecnologias. Segundo ele, “a escola ainda é analógica. Assim as crianças não têm motivação para estudar. Para que aconteça a aprendizagem, é preciso respeitar os interesses da criança”, afirmou.

Programando o Futuro

Quanto à aplicação prática da tecnologia nas escolas, Rui é enfático: “nós temos que fazer uma revolução, a educação tem que virar de cabeça pra baixo. Precisamos focar os recursos na educação fundamental e depois ir avançando. Nós precisamos despertar o desejo, e nossa missão é plantar uma semente nos professores em utilizar a tecnologia nas escolas”, declarou. Ele apresentou o projeto “Programando o Futuro”, que inclui lógica de programação na grade curricular de estudantes do ensino fundamental, a partir dos 10 anos de idade, aproximando assim o universo da computação do processo ensino-aprendizagem através do desenvolvimento do que Rui chama de “pensamento computacional”.

Movimento Santa Catarina pela Educação

O painel “Contextos e cenários necessários à implementação de inovações na Educação” contou ainda com a apresentação de Osnilda Leite, representando o Movimento Santa Catarina pela Educação, da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Osnilda apresentou as iniciativas utilizadas pela Fiesc para a elevar a escolaridade básica do trabalhador, entre as quais está a criação de uma plataforma digital voltada às iniciativas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo Osnilda, o objetivo do Movimento Santa Catarina pela Educação é “mobilizar, articular e influenciar o poder público e a iniciativa privada para melhorar a educação quanto à escolaridade e a qualificação profissional do trabalhador catarinense”. 

Seminário até quarta-feira (25/9)

O Seminário Sul-Brasileiro de Educação acontecerá durante dois dias, até terça-feira (25/9) durante o Congresso de Prefeitos 2019 na Arena Petry, em São José/SC, e tratará de temas como perspectivas em educação e inovação, políticas educacionais e plataformas digitais, políticas de valorização profissional com relatos de profissionais sobre a saúde e bem-estar do professor no cotidiano do magistério.